Amazonas tem cinco Unidades de Conservação no ranking das 50 UCs mais desmatadas

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Amazonas tem cinco Unidades de Conservação no ranking das 50 UCs mais desmatadas

Cinco Unidades de Conservação (UCs), localizadas no Amazonas, sendo três estaduais e duas federais, estão no ranking das 50 UCs mais desmatadas na Amazônia Legal entre 2012 e 2015. Elas estão distribuídas entre os municípios de Lábrea, Canutama, Humaitá, Maués, Presidente Figueiredo e Manaus. Ao todo, as cinco UCs tiveram 3.529 hectares desmatadas durante o período analisado. Os dados fazem parte de um estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Divulgado no último dia 20, o novo estudo do Imazon mostrou que as 50 UCs mais críticas, que estão em oito dos nove estados da Amazônia Legal e representam apenas 16% do total de Unidades de Conservação da região, perderam 229,9 mil hectares de floresta, isto é, 97% da área desmatada em UCs entre 2012 e 2015. Os estados do Pará e de Rondônia concentraram a maior parte do desmatamento detectado no período, 49,8% e 38,9%, respectivamente.

Com o aumento do desmatamento nas Unidades de Conservação da Amazônia, o estudo apontou que aproximadamente 136 milhões de árvores foram destruídas, causando a morte ou o deslocamento de aproximadamente 4,2 milhões de aves e 137 mil macacos, considerando a densidade típica de animais e plantas na floresta. A emissão de gás carbônico gerado a partir da queima da vegetação nessa área chega a se comparar às emissões de 80% da frota de automóveis do Brasil.

Ainda de acordo com a pesquisa, as principais causas do desmatamento são as ocupações e a exploração madeireira ilegais. Os ocupantes podem ter obtido uma renda bruta de R$ 300 milhões com a venda da madeira extraída ilegalmente das UCs, o que criou um enorme potencial de investimento no desmatamento. Além disso, eles se apossaram de um patrimônio em terras no valor de R$ 344 milhões.

Uma das autoras do estudo Elis Araújo, informou que a vulnerabilidade dessas áreas decorre de falhas referentes a quatro fatores necessários para o sucesso de qualquer empreendimento: estratégia, pessoal, recursos financeiros e execução. “O principal é a falta de uma visão clara e consistente do papel das UCs no desenvolvimento e proteção da região, isto é, estratégia. Por falta de compromisso com a proteção, o governo cede às pressões para mudar regras e enfraquecer a legislação ambiental conforme interesses de momento”, disse.

Para zerar o desmatamento e garantir a integridade das Unidades de Conservação (UCs), o estudo do Imazon propõe três medidas: garantir proteção imediata das áreas mais críticas e das populações locais; assegurar a sustentabilidade das UCs através de atividades como turismo, expedições educacionais e eventos artísticos e esportivos; e bloquear a demanda e o financiamento do desmatamento ilegal pressionando e responsabilizando as empresas que compram produtos oriundos de áreas desmatadas e incentivando a produção sustentável.

‘Preocupante’

O percentual da área desmatada nas UCs do Amazonas representa apenas 1,5% do total, mas é preocupante na avaliação do secretário de Estado de Meio Ambiente, Antônio Stroski. “Temos conhecimento sobre o desmatamento, além da pressão nas Unidades de Conservação, e estamos com serviços de inteligência identificando o problema e fazendo ação de fiscalização em conjunto com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)”, afirmou.

Para Stroski é fundamental melhorar as ações de fiscalização e o Estado, conforme ele, deve intensificar as discussões e as medidas de combate com o programa Municípios Sustentáveis Amazonas (MS Amazonas), cujo um dos objetivos é a redução do desmatamento. “O desmatamento vem aumentando desde 2015 em toda a Amazônia. Nas unidades de conservação nos preocupa mais porque são áreas protegidas, onde existem comunidades que devem ser preservadas na sua integralidade”, comentou.

Desmatamento nas UCs federais do Amazonas vem diminuindo 

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), informou que as UCs federais do Amazonas contribuíram com menos de 10% do desmatamento em todas as unidades de conservação da Amazônia Legal, em todos os anos indicados no estudo.

Com relação ao desmatamento dentro de UCs federais, o ICMBio informou que o projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) 2012-2015 indica uma redução do desmatamento nas UCs do Amazonas. Com referência as três UCs citadas na lista das 50 UCs com mais desmatamento do estudo do Imazon, estas UCs correspondem a menos de 2% do desmatamento total no Estado, no período indicado.

Fiscalização planejada para 2017

A coordenação geral de Proteção do ICMBio informou que elabora planejamento anual de ações de fiscalização, as equipes de fiscalização são formadas com servidores de todo o país. Para o ano de 2017 estão previstas 88 ações de fiscalização nas Unidades de Conservação federais do estado do Amazonas. Essas ações objetivam coibir práticas ilegais dentro dos limites legais ou fora das UC’s, que possam afeta-las direta ou indiretamente.

Em 2016 foram executadas 72 ações que resultaram em mais de R$ 3 milhões em multas aplicadas pelo cometimento de infrações ambientais.

Conforme a coordenação, no escopo da parceria entre o ICMBio e o Serviço Florestal Americano – US Forest Service, fruto da iniciativa “Partnership to Conserve Biodiversity in the Amazon”, estão sendo executadas diversas ações que buscam fomentar as discussões sobre os desafios e oportunidades de expansão da visitação nas unidades de conservação amazônicas, a melhoria da experiência do visitante, assim como trabalhar na orientação e engajamento das comunidades locais e outros segmentos da sociedade.

Estão previstas a realização de seminários e workshops relacionados a visitação em unidades de conservação amazônicas, a capacitação de servidores e agentes locais, a implementação de áreas demonstrativas, a ampliação e fortalecimento do programa de voluntariado, além de visitas e intercâmbios técnicos.

Também estão sendo priorizadas ações de capacitação de gestores, servidores e agentes locais em temas relacionados à visitação, como a diversificação de atividades turísticas, o planejamento e manejo de trilhas, interpretação ambiental, turismo de base comunitária, entre outros, de forma que esses atores atuem como multiplicadores nas suas respectivas regiões.

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